09/11/2006. Desde Centroamérica, Vanda Pignato desmenuza elementos de la victoria de Daniel Ortega en la elección a la presidencia de Nicaragua. Su conclusión es que "la victoria de Daniel es una buena noticia para la región centroamericana, pero no se deben crear muchas expectativas porque las condiciones internas son muy difíciles..." Lea los porqués de esta conclusión abajo.
As eleições na Nicarágua Por Vanda Pignato, no sítio www.pt.org.br , em 8/11/2006
Daniel Ortega regressa ao poder passados 27 anos da Revolução Sandinista. A volta não foi fácil. Seu partido, FSLN (Frente Sandinista para a Libertação Nacional), teve que sofrer por várias metamorfoses, entre as quais, a mudança de suas cores originais (o vermelho e preto apareceram muito pouco nestas últimas eleições); o famoso hino quase não foi executado; muitos de seus líderes do passado abandonaram o partido e fundaram o Movimento de Renovação Sandinista, alianças estratégicas com ex-inimigos, entre outras mudanças.
Na realidade, a vitória de Daniel já era anunciada. Ele costurou importantes alianças e apoios, alguns deles duramente criticados, como foi o caso do apoio da bancada Sandinista no Congresso para a aprovação da revogação a Lei que permitia o Aborto Terapêutico. Essa era uma antiga reivindicação da Ala Conservadora da Igreja Católica. Mesmo com todo seu esforço por parecer mais ¨light¨, os resultados demonstram que o fator mais relevante para sua vitória foi a divisão dos partidos de direita (PLC, que até agora obteve 22.93% e ALN-PC 30.94%, que juntos somariam 53.87% suficientes para derrotar no primeiro turno a FSLN).
O avanço da direita nicaragüense pode dificultar o futuro governo sandinista, segundo as últimas noticias ( até agora somente foram apurados 61.2% dos votos) a bancada sandinista diminui de 38 para 37 (de um total de 90 deputados). A Aliança direitista Liberal Nicaragüense- ALN junto com o PLC somariam cerca de 49 deputados e o Movimento de Renovação Sandinista - MRS cerca de 6 deputados. Segundo esta aritmética a correlação de forças anti-sandinistas seriam fortes. Daniel terá que governar com muitas pressões.
Há que se destacar o papel intervencionista de alguns partidos e líderes da direita centro-americana, entre eles a salvadorenha, que se deu ao trabalho de enviar dois ex-presidentes à Nicarágua para fazer campanha contra Ortega. Estavam em jogo nessas eleições interesses empresarias locais, de importantes Grupos Familiares da Oligarquia regional.
Outro fator importante que deve ser mencionado foi o papel lesivo dos meios de comunicação controlados por grupos da extrema direita. Apesar de todos os esforços da mídia nicaragüense por impedir a vitória da Frente, a imprensa tendenciosa também saí derrotada. Fica a lição de que existe um poder obscuro regional (mídia) que deve ser, urgentemente, regulamentada e democratizada, pois ao contrário as esquerdas estarão em sérios problemas.
Também foi lamentável o papel dos observadores norte-americanos liderados por seu embaixador na Nicarágua, Paul Trevilli, conhecido aliado do partido direitista ALN. O comunicado publicado logo depois de fechada as urnas afirmava que as eleições foram recheadas de anomalias e que eles não estavam em condições de afirmar que foram realizadas com transparência e imparcialidade. O mais absurdo da historia é que o Centro Carter, a OEA (com mais de 200 observadores, entre eles vários ex-presidentes latino-americanos) e a União Européia emitiram um comunicado completamente contrário. Para eles, as eleições foram ¨pacificas, massivas e ordenadas“. Por mais que a delegação norte-americana tenha reclamado, a presença de mais de 18.000 observadores internacionais (a maior já realizada na América Latina), garantirá o respeito à vontade do povo nicaragüense.
A vitória de Daniel é uma boa notícia para a região centro-americana, mas não se deve criar grandes expectativas pois a condições internas são muito difíceis, por isso o Brasil pode e deve jogar um papel protagonista ajudando esse novo governo, fortalecendo sua aliança com a região centro-americana desta vez através de um governo democrático.
Vanda Pignato integra o coletivo da Secretaria de Relações Internacionais do PT (Partido dos Trabalhadores) do Brasil. |